Conhecendo um pouco mais de Moreno

Data: 26/10/2008 | Hora: 14:15 | Por: Leonardo Rodrigo


A expectativa foi grande quando recebi o convite dos estudantes da Universidade de Pernambuco (UPE) para participar de um passeio que eles tinham programado para o último sábado (25/10). O encontro com o grupo ficou marcado para manhã daquele dia, na Praça da Bandeira. Como os estudantes estão fazendo um trabalho sobre o município como um todo, eles se dividiram em grupos. E cada um deles ficou responsável por uma área específica da cidade. No caso, eu acompanhei aqueles que tinham a missão de estudar a zona rural da cidade.

A prefeitura cedeu o transporte e duas pessoas da Secretaria de Turismo nos acompanharam. No roteiro do passeio estavam programadas visitas a sete engenhos, além de idas a pontos naturais com grande potencialidade turística. Como já foi iniciado o ciclo do corte da cana-de-açúcar, durante todo o trajeto vimos a queima e o corte da cana. O tráfego dos caminhões e tratores já era grande, e devido a safra encontramos um estrada boa sem grandes buracos ou lama.

Nossa primeira parada foi no Engenho Javunda, que fica aproximadamente 11 km do nosso ponto de partida. No local, os estudantes fizeram registros fotográficos e coletaram informações com os moradores sobre o engenho. Voltamos a estrada e a nossa próxima parada era Brejo, mais precisamente em sua cachoeira. Estava na maior expectativa de conhecer esse local desde quando ouvir falar de sua existência pela primeira vez há três anos atrás.

Não demorou muito até encontrarmos a primeira queda dágua do engenho. Essa primeira fica à margem da estrada e de certa distância já da pra escutar o barulho que a água faz. A poucos metros dali deixamos o carro, e seguimos nosso percurso à pé. Até chegarmos a famosa cachoeira tivemos um pouco de trabalho devido a mata fechada que atravessamos. Mas o desafio maior ainda era chegar no ponto alto, tivemos que literalmente escalar diversas pedras que compõe o cenário. Mas chegando lá, todo o esforço é recompensado. Confesso que fiquei alguns instantes maravilhado com aquela cachoeira. Enfim, até aqueles que foram de calça e tênis não resistiram e tomaram banho. A água é gelada e sua queda é de aproximadamente seis metros de altura. Para quem fica embaixo não tem outra alternativa a não ser segurar para não cair nem escorregar com o lodo formado nas pedras.

Infelizmente o local esta fechado para visitação. Não tiro a razão do proprietário, por que infelizmente nossa educação ambiental esta, vamos dizer, no pré-escolar. O local é perfeito, e deve ser preservado, mesmo que isso signifique seu isolamento. Quem sabe um dia, quando tivermos um pouco mais de consciência de preservação o local seja reaberto. Só que, encantados com o a cachoeira, terminamos ficando mais tempo que o programado.

De volta a estrada, nosso destino foi Cumarú. Lá, conhecemos um pouco do trabalho que envolve praticamente todos que moram na zona rural da cidade. A fabricação de farinha de mandioca. Em Cumarú todas as famílias se envolvem na produção que vai desde o plantio até o trabalho na casa de farinha.

Atrasados no cronograma seguimos rapidinho para o Engenho Nova Conceição, outra grande surpresa. O casarão do engenho ainda conserva os traços originais do inicio do século passado. Fomos informados que o proprietário mora no local, mas naquele momento não se encontrava. Mesmo assim recebemos autorização para conhecermos a propriedade. O engenho conserva além de seu casarão, uma pequena igreja que fica anexada a casa, um local que seria possivelmente uma senzala e a baia dos cavalos.

De lá fomos para os Engenhos Gurjaú de Baixo e Gurjaú de Cima, respectivamente. Apesar dos nomes parecidos um nada tem a ver com o outro. Os donos são diferentes e eles são separados por quase seis kilometros de distância. Em comum mesmo, apenas o ritmo que já começa a acelerar com a safra da cana. Prova disso é a contratação de mão-de-obra para o corte. Geralmente essas pessoas vêem de outras cidades e ficam o tempo que são contratados em alojamentos chamados de curais. Em alguns pontos que passamos era possível ver tais acomodações.

O resto do nosso passeio infelizmente não poderei falar, em respeito ao trabalho dos universitários, que alias, estarão em Moreno no próximo dia 4 apresentando no antigo SESI, essa pesquisa que realizaram em nossa cidade. O acesso deverá ser aberto ao público. Quem puder aparecer vá, que assim como eu, você descobrir um pouco mais sobre a cidade onde moramos.

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