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O textos que seguem, foram extraídos do livro de João Carneiro da Cunha, uma das principais fontes históricas do município.

Recordando


Tenho acompanhado com muito interesse o progresso do Moreno, como: calçamento, arborização, construção de novas industriais, grupos escolares, praças, avenidas, agências bancárias, bonitas residências, supermercados, etc., tudo enfim, que redunda em adiantamento, em continuação, em desenvolvimento, em que demonstra renovação de vida.

Retrocedendo ao tempo em que cheguei nesta aprazível paragem (1920), deitando um olhar retrospectivo para a MORENOS de antanho a Vila Nathan dos bons tempos do Capitão Zeca Costa – prestigiosa figura política, em cuja vivenda se agrupavam os vultos mais destacados no cenário partidário daquela época – pai do sr. Vicente Costa e de dona Anésia Canto; recordo-me de que era na casa do Capitão Zeca Costa que comparecia, freqüentemente, o grande intelectual Samuel Campelo, cunhado do sr. Antonio Magnata, que era genro do Capitão. Era nessas famosas reuniões, muito concorridas, que Samuel Campelo fazia os seus mais bonitos discursos.

Não sei como foi que eu achei Morenos tão bonita, quando aqui cheguei.


Quanta simplicidade havia na vida social daquela época!
Que união, que intimidade ligavam as famílias da VILA DE MORENOS!
Como eram animadas as festas de outrora. Quanta camaradagem nas festas populares, nos bailes, nas sedes, nas reuniões freqüentadas por famílias de operários, gerentes, escriturários,etc.

Como eram brilhantes as noitadas do “Bloco Primaveril”!
Quanto entusiasmo despertava nos meios culturais da antiga MORENOS agremiação que tantas vezes intelectuais propagou e que foi o “Núcleo Cultural”.

Que saudades me traz a recordação dos piqueniques promovidos pelo primitivo “Bloco União”, de José Nogueira, na antiga Casa-grande do Engenho MATO GROSSO cujas fotografias ainda confirmam a união e a camaradagem daquela gente. E do bloco “Caninha Verde”, dos clubes esportivos “Brasil” e “Guanabara”.

Finalmente, para que recordar o tempo que passou? É simplesmente para o conforto de todas as pessoas que já descambaram para o último quartel da vida.

E quando nossas cabeças começam a cobrir-se de neve e quando o peso dos anos se manifesta nas nossas fisionomias, é que melhor se adapta a frase do poeta: RECORDAR É VIVER

O intelectual Miguel Callander previu, em 1928, a demolição da Igreja de São Sebastião


Profundo conhecimento da maldade dos homens, o poeta e escritor Miguel Callander exigia, em crônica publicada na edição de 12 de agosto de 1928. do CORREIO DE MORENO, a permanência do velho tempo católico erguido em 1745, no outeiro atrás da Casa-Grande do Engenho CATENDE, (afastando-o do convívio dos seus amigos e leitores, Deus poupou ao boníssimo Callander o que seria o maior desgosto da sua vida: a derrubada, no segundo semestre de 1973, da Igreja de São Sebastião, com seus 228, para ser edificada, em seu terreno, a ESCOLA CARDEAL DOM JAIME CÂMARA – Ensino do 1° e 2° graus):

“A mão do homem não devia profanar os templos de Deus, demolindo-os. Edificar, sim, para que a glória divina seja entrada em toda parte. Assim, é de esperar que a atual Igreja de Morenos permaneça em seu lugar, e que a nova Igreja venha a ser não uma casa de ostentação para as modas, mas uma casa sagrada para a continuação do exemplo da simplicidade da humildade, e onde a caridade seja o seu mais firme sustentáculo e a palavra divina continue a ser o bálsamo de todos os corações”

Caveira de burro



Enquanto se aguarda a implantação do Distrito Industrial, planejado em época eleitoreira (parece que se transformou em conto da Carochinha); a inauguração do famigerado Centro Social Urbano; a conclusão do Ginásio Industrial (onde se aplicaram milhões de cruzeiros antigos num terreno pantanoso) e o término das obras de construção do Grupo Escolar da Avenida Dr. Sofrônio Portela, muita gente lamenta, profundamente, o desaparecimento, sem uma explicação convincente, de coisas úteis e tradicionais, talvez por negligência ou ignorância de A e B (ou devido à caveira de burro de Baltazar Moreno).

A verdade é que transferiram a Coletoria Federal e a Agência do IBGE. E fecharam o Ginásio Sagrado Coração, onde estudavam 1.600 alunos (é de se lamentar que, numa cidade carente de educação, uma escola do prestígio do SAGRADO CORAÇÃO tenha fechado suas portas sem motivo justificável) a Creche, o Escotismo, as Bandas de Música, a Escola Paroquial, o Bando Azul, o Tiro de Guerra, a Independente-Jazz, a Cobal, o Posto Moderno, a Capela de Santo Antonio, o Ginásio do Moreno, o Externato COTONNIÉRE (a “menina dos olhos” da professora Laura de Freitas), os Núcleos Recreativos, as Sociedades Dramáticas, os Blocos Carnavalescos, a Cooperativa, os Centros Culturais, o Refeitório dos Operários, a Estação Ferroviária de Tapera (hoje Bonança).

Derrubaram, outrossim, a velha Igreja de São Sebastião do Engenho CATENDE, erguida em 1745. E para completar as desgraças que se abateram sobre a cidade das “verdes colinas”, o COTONIFÍCIO MORENO S. A. jogou no olho da rua 1.200 operários, encerrando suas atividades industriais (permanece de “fogo morto” até o momento em que redigimos este comentário). Sem esquecermos a demolição da Capela de Santa Terezinha, do povoado de Tapera, deixando o vereador Antonio Pinto sem a santa de sua devoção, a cujos pés costumava exclamar: BEM-AVENTURADOS OS QUE REZAM, PORQUE ELES SERÃO CONTEMPLADOS COM DEZENAS DE VOTOS DE ELEITORES DA ZONA RURAL DO MORENO...

Texto de João Carneiro da Cunha, retirado do livro Moreno 50 anos 1928 a 1978.
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Curiosidades
1962 - A SOCIÉTÉ CONTONNIÉRE BELGE-BRESILIENNSE S. A.,, possui 1.208 casas (1.091 residenciais, 86 comerciais, 6 industriais, 6 educacionais, 10 alugadas aos governos estadual e municipal e 4 para templos religiosos).
1616 - 29 de fevereiro. O lusitano Baltazar Gonçalves Moreno se estabelece em NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO, uma fábrica de açúcar bem montada, com extensos canaviais, a oeste de Santo Amaro (Jaboatão), comprando-a ao judeu converso Carlos Francisco Drago. Seu nome foi mudado, posteriormente, para Engenho MORENOS. Foi despejado, quarenta anos depois, pela WEST INDISHE COMPAGNIE. Muitos outros proprietários ocuparam o estabelecimento agrícola fundado no começo do século XVII, senão mesmo de fins do século XVI, até quando Antonio de Souza Leão o adquiriu pela importância de 22.500 cruzados.
1745 - O capitão-Mor Domingos Bezerra Cavalcanti, senhor de Engenho CATENDE, ergue sua capela sobre o outeiro (Igreja de São Sebastião), destruída, culposamente, 228 anos depois, a fim de construir, em seu terreno, a ESCOLA CARDEAL DOM JAIME CÂMARA – Ensino de 1° e 2° graus. Os trabalhos de demolição começaram em 27 de junho de 1973.
1920 - A Lei Municipal n.° 126, de 08 de março, cria o distrito com a denominação de MORENOS, recebendo sua sede foros de Vila e figurando como distrito de Jaboatão.
1928 - A Lei Estadual n.° 1.931, de 11 de setembro, cria o município de MORENOS, com território desmembrado do Jaboatão, e concede à sede municipal foros de cidade.
1950 - Inauguração, em 12 de junho, da capela de Santo Antonio, erguida no alto do mesmo nome (está ameaçada de desabamento).
1920 - Criação, em 25 de agosto, pelo padre Edmundo Kleipool, da ESCOLA PAROQUIAL, funcionando na capela do Engenho CATENDE, (o padre Edmundo foi o primeiro vigário da nossa paróquia, tomando posse em 1° de fevereiro de 1919; faleceu no dia 09 de junho de 1958). Sua primeira professora dói dona Severina Almeida Rocha (SEVY), recém-chegada do Recife.
Leonardo Rodrigo, leoecia.com - 1998/2014. © Todos os direitos reservados.